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style="margin-bottom: 0;">Convergindo de X e para Y


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Integrar, convergir, consolidar. Verbos estranhos ao vocabulário popular, mas que expressam nosso desejo cotidiano de ter todas as ferramentas que precisamos, para viver e sobreviver no mundo moderno, em um único objeto. Simples ou complexos, o fato é que criamos tanta afeição e apego a estes aparelhos multi-funcionais que preferimos utilizá-los em qualquer circunstância, mesmo que tenhamos que fazer algumas concessões em nossos rígidos critérios de decisão.

O aparelho celular é, por prerrogativa e tendência, o melhor símbolo do “objeto pessoal definitivo” e o elemento central do movimento de convergência de mídias, fluxos de informação, funcionalidades e ferramentas tecnológicas em um único device. Na nova era das telecomunicações, inaugurada e potencializada por tecnologias como 3G e Wi-Max, os celulares deixam de ser apenas telefones e se tornam híbridos interconectados online de telefones inteligentes (Smartphones), assistentes pessoais digitais (PDAs) e centrais multimídias de entretenimento (Media Center).

Porém, a convergência representa mais do que um objeto com muitas funcionalidades. É a generalização de tudo o que pode ser transacionado de forma digital em: dados – não importando o formato (texto puro, código, imagem, vídeo, áudio, ou todos estes combinados), objetivo (informativo, comercial, publicitário, relacionamento, de conteúdo, etc) ou fonte (privada/corporativa/pública, pequeno/grande porte). Em suma, o device que estiver apto a gerar, disseminar e transacionar (principalmente de forma colaborativa) os dados em suas múltiplas facetas será a plataforma vencedora na preferência do usuário em cada contexto de uso, quando comparada às possibilidades mais, digamos assim, offline.

Pode ser um celular, para a visualização do mapa que indica a melhor rota para se chegar a algum lugar; a televisão digital, para acessar o conteúdo extra ou informações detalhadas de um filme, novela ou seriado ou até uma geladeira 2.0 para consultar a melhor forma de armazenar um determinado alimento ou preparar uma receita para o almoço.

Assim, não é exagero imaginar que futuramente, ao lado de toda e cada tomada de eletricidade, existirá uma tomada de conexão à Internet (isso se a Internet já não vier através da rede elétrica ou disseminada por wireless em qualquer local), para que cada aparelho eletrônico “funcione”, uma vez que o conceito de funcionar será associado a “estar conectado”.

Diversas novas aplicações e serviços podem ser identificados como frutos dessa nova realidade de combinação 1) Dados (formato x objetivo x fonte), 2) Plataforma/Device e 3) Contexto de Uso.

Quando pensamos no celular como plataforma, os exemplos se multiplicam. Destacamos alguns que alçaram a convergência a um novo patamar como a possibilidade de assistir televisão digital pelo celular, a realização de chamadas de vídeo-conferência (voz e imagem e alta qualidade) e a possibilidade de acesso a redes sociais como o MySpace e até mesmo ao programa de mensagens instantâneas MSN Messenger pelo celular.

A Televisão Digital, que mesmo após seu alardeado lançamento no Brasil ainda não apresentou as funções de interatividade, relacionamento e shopping muito especuladas, além de uma qualidade de imagem superior, deverá ser o principal device de inclusão digital no longo prazo.

Porém, enquanto os órgãos de regulamentação se atêm às disposições legais e aos interesses das empresas de mídia no grau de concessão e liberdade para a TV Digital, já é possível vivenciar uma experiência de interatividade potencializada pela televisão, a partir de uma plataforma de games como o Playstation 3. O PS3 agrega funcionalidades como acesso à Internet, Redes Sociais Virtuais 3D (veja vídeo abaixo), Comunidades de Games e o Download/Streaming de Canais, Filmes e Vídeos, tanto de forma gratuita, como paga, algo ainda muito distante da televisão digital como a conhecemos (em conceito, claro)

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Por fim, o computador em si, seja desktop ou notebook – que possibilitou o desenvolvimento e miniaturização das tecnologias que foram a porta de entrada para a Internet e redes de dados a todos os demais devices – agrega todos os serviços passíveis de serem “bitizáveis”, como a realização de chamadas telefônicas e streaming de vídeo (canais, filmes, seriados, etc) e áudio (rádios, podcasts, etc).

A cada nova combinação do tripé 1) Dados (formato x objetivo x fonte), 2) Plataforma/Device e 3) Contexto de Uso, são muitas as possibilidades que se abrem para as empresas explorarem comercialmente este ambiente de inovações e convergências, adequando sua estratégia de negócio, produtos, serviços e a forma de fazer Marketing, se comunicar e se relacionar com seus consumidores 2.0.

O principal benefício para as empresas é a capacidade de se obter informação e conhecimento qualificado sobre cada cluster de consumidores de interesse, podendo, dessa forma, realizar estratégias cirúrgicas de posicionamento, comunicação, branding e relacionamento com estes clusters, potencializando ao máximo os resultados de suas ações e a alocação de seus investimentos.

Inegavelmente, o maior beneficiário da convergência de mídias é o usuário, seja o consumidor final ou a empresa, essencialmente pela facilidade, praticidade e desburocratização no acesso às informações e na maior segurança e aderência dos serviços de relacionamento aos procedimentos e SLAs da empresa.

Porém, ao contrário do que se imagina, a maior parte da população economicamente ativa e formadora de opinião ainda não é a Geração Y, (que já nasceu conectada e com @ depois do nome), mas sim à Geração X, que viu (e vê) com certo ceticismo e uma pitada de nostalgia a forma e a velocidade como as tecnologias e a convergência impactam a vida moderna.

Pela falta de intimidade com este novo mundo, os consumidores da Geração X – em ambiente Y 2.0 – sentem a insegurança, receio e medo em relação às consequências de suas ações e às possibilidades de fraude e roubo virtual de informação ao atuarem em um ambiente naturalmente inóspito. Por mais que a maior parte da tomada de decisão de compra ocorra em ambientes virtuais, a efetivação da compra e das transações ainda ocorre de forma offline, utilizando os canais tradicionais.

Considerando estes aspectos comportamentais, de Y e de X, é crucial que as empresas propiciem ambientes seguros de teste, em formato de laboratórios, oficinas ou workshops para que seus consumidores experimentem, vivenciem e adotem as novas possibilidades de interação através dos múltiplos devices, superando assim seus medos, incertezas, travas e nós.

Além disso, é crucial que exista tanto uma adequação do grau de convergência em cada device para um nível ótimo (o excesso de funcionalidades e possibilidades pode ser um dificultador em muitos casos) como um driver de usabilidade, simplicidade e intuitividade no desenvolvimento de cada possibilidade.

A tecnologia e sua convergência têm um caráter recorrente de inovação, com ciclos por trimestres, semestres ou anos. O ritmo humano é mais lento, por gerações, e sua inovação (ou melhor, renovação) vem em ondas, que podem tanto trazer oportunidade de surfá-las, para as empresas atentas, como afogar aquelas que estão boiando na zona de arrebentação.

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